domingo, 11 de janeiro de 2009

É tarde. Eu já estava na cama, pronta pra dormir, quando algo me veio na cabeça. Algo que eu deveria ter te dito hoje, no bar, quando estávamos frente a frente e você roçava seu joelho no meu (aposto que você deve estar se dizendo agora que isso é fruto da minha mente perturbada... você nunca faz nada, tudo é fruto da minha cabeça e do meu entorpecimento...). Eu deveria ter te dito que eu estou muito bem agora... Bem demais... Mas estar bem é um saco. Você me faz tanta falta... Tanta falta...
Sinto falta das noites longas e escuras... Sinto falta das lágrimas que escorriam toda vez que você me abraçava e dizia “até logo, sua maluca”... Sinto falta da sensação de formigamento no corpo quando eu tomava todas aquelas doses de pinga barata e cheirava todas as carreiras que me ofereciam no banheiro do boteco sempre que você ia embora e me largava sozinha... Eu sinto tanto a sua falta... A vida ficou tão sem graça sem você. Você foi embora. E ficou só a carcaça aqui. Eu correndo pra cima e pra baixo em busca de algo que valha a pena. Mas só você valia. Agora sigo dormindo. Vazia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sobre cerveja, cigarros e Danieis.

Tenho problemas com “Danieis”, não sei o que acontece, foram tantos. Sempre Daniel. O primeiro foi quando eu tinha 09 anos, ele queria me beijar e eu muito da boba-inocente nunca deixei, achava nojento, apesar de ser gamada nos olhos verdes e nas sardinhas que ele tinha perto do nariz. Com 15 anos me apareceu um Daniel que eu achava que era idêntico ao Daniel Johns (minha outra paixão adolescente) do Silverchair, mas hoje eu acho que ele estava muito mais pra Mark Army, tanto pelo tamanho da sua napa quanto pela cara de palerma. Ele não se achava nenhum dos dois, ele jurava que era o Kurt Cobain reencarnado e ficava no pátio do colégio sentado balançando os pés com os olhos fixos em mim e na minha amiga. Ele era muito estranho e eu fazia tudo pra ser tão estranha quanto ele, dias depois eu me encontrava no banco ao lado fazendo as mesmas coisas, balançando os pés olhando pra cara dele. Ele era estranho, mas eu gostava tanto dele, era uma paixão tão cega que me levava a fazer coisas sem nem saber o porquê. Com ele comecei a fumar, beber e a fazer cortes superficiais nos braços com gilete. Na época eu até poderia não saber bem o porquê de do uso de tudo isso, mas os mais de 10 anos que se passaram me mostraram que álcool e nicotina são sim extremamente úteis, os cortes nos braços é que até hoje nunca me deram nenhum barato. Umas semanas depois descobri que os olhares que ele jogava do outro lado do pátio não eram pra mim, e sim pra minha amiga, e quando peguei os dois juntos saquei a gilete do bolso e sai correndo atrás deles, eu queria cortar os pescoços deles de ponta a ponta, visualizei a cena durante dias e sempre ficava esperando um deles aparecer na porta da sala pra eu realizar meu desejo assassino. Depois de 4 anos minha paixão foi a Dani, minha primeira paixão por uma garota, e diferente de todos os Danieis, a Daniela foi muito legal comigo e ainda é minha garota e vai ser sempre, mesmo longe, porque tem algo que une a gente pra sempre. E por último, e a sensação que eu tenho é que vai ser o último mesmo, é o Daniel atual, o Daniel definitivo, o Daniel que está em cada palavra desse blog, em cada gota de suor que desce pela minha testa enquanto eu digito aqui, o Daniel que aparece na minha cabeça todo segundo, mesmo às vezes me fazendo querer meter a cabeça contra a parede pra ver se consigo arrancar ele a força de dentro de mim. Depois de tantos Danieis é até bobagem dizer que você é o definitivo, porque muitos outros podem aparecer, e eu realmente gostaria de acreditar nisso, mas você sempre volta, eu já te amarrei em um saco com pedras e te joguei no fundo de um rio e você voltou, quando eu menos esperava você estava acariciando minha perna e me transformando nisso que eu sou hoje... Depois de você, não sei se vou ter forças pra outros, porque o que eu poderia entregar a outros você roubou e levou embora faz tempo...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

E eu ainda muito longe, na Ilha Norte perto do fim do mundo. Cinco dólares nas mãos e uma oferta para lavar pratos em uma kebaberia. Ou é isso ou vou ter que enfiar o rabinho entre as pernas e vou ter que voltar, e eu ainda não posso, o coração ainda está inflamado. Ainda não. Vou lavar pratos.
Nove dias. Aguentei só nove dias. Minhas mãos já estavam cheias de perebas e eu corria o risco de perder meus dedos na maquina de ralar batatas. Enchi os olhinhos de lágrimas, fiz cara de gatinho do Shrek e o turco-chefe me deu a grana dos nove dias. Puta sorte! Ele não era obrigado a me pagar, ainda mais que eu trabalhava ilegalmente, whatever...
Fui pra rodoviária e peguei um ônibus, ainda me lembro do nome do busão, “Tongariro National Park”. Caralho, eu lá na puta que pariu e seu cheiro na minha blusa, eu sei que até parece letra de musica sertaneja, mas a droga do seu cheiro estava lá. Joguei a blusa fora e congelei...
Entrei no pub, bebi uma Stella, conheci 3 gúrias e fui jogar bilhar. Elas me pagaram cerveja, um rango, e eu fiquei no mesmo quarto que elas no albergue, conversamos sobre corações despedaçados. No dia seguinte peguei carona pra não lembro onde e deixei as garotas pra trás. Peguei carona com um inglês que tinha uma van (e eu, antes de entrar, pensei: “Putz, Van é carro de tarado/pervertido”), olhei pra cara do inglês e ele tinha cara de inglês e sotaque de inglês e era lindo, entrei na Van e uma amiga que me ajudou com a mochila só disse “take care girl”. Eu tropecei, cai com a cara no banco, deixei umas coisas cair, que o vento levou e o inglês foi correndo toscamente pegar tudo pra mim...Cute!
O inglês era tão inglês que não me fez nada, acho que mesmo que eu quisesse. Fumamos maconha juntos e tomamos um café e ele me deu a blusa dele porque percebeu que eu estava roxa de frio. Desci em uma praia e fiquei por lá. Mas me bateu um tédio. Mesmo com tantas coisas acontecendo eu fiquei bodeada e no dia seguinte eu voltei. Hoje até me arrependo um pouquinho...Talvez ainda hoje era pra eu estar por lá, mendigando cerveja e restos de cigarros. Um minuto de chateação e eu joguei tudo pro alto e voltei. Só ficou um monte de lembranças turvas de coisas tão surreais que nem parecem mesmo que aconteceram. Essa experiência toda me deixou mais livre. Hoje são poucas as coisas que me dão medo. Perder o emprego? Foda-se! Não ter dinheiro? Fo-da-se! Não gosta de mim? F-O-D-A-S-E-S-E-E-E!!! Hoje só tenho medo de perder a minha vontade, minha inquietação e minha paixão. Essas coisas entaladas na garganta, e essa dorzinha no coração que fazem eu me mexer. Eu só vou parar quando ainda essas gotas de sangue que correm e aquecem minhas veias secarem, e ainda falta algum tempo. Ainda sinto. E só você tem meu botão de liga/desliga. Eu já tentei fugir e ficar longe, mas não dá. Voltei. So ...Take me now, As I am.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ele me deu um chute de leve na barriga e jogou a bituca de cigarro na minha cara. Eu estava sentada no chão ouvindo com cara de tédio todas as suas lamentações. Ele ficava me dizendo que eu não tinha o direito de fazer o que eu faço, sendo que tudo o que eu faço é ser completamente louca por ele. Eu não tenho culpa. Eu sou o que sou e estou onde estou por culpa dele. Eu não fiz nada muito grave, foram só alguns escândalos, um monte de lágrimas derramadas, maquiagens borradas e roupas rasgadas. E ele vem me dizer pra eu não ser mais eu, pra eu não mais lhe querer, e não lhe ver. Eu sei que sem ele não vai ter mais nada. E eu ainda prefiro queimaduras de cigarro no rosto ao nada.

sábado, 11 de outubro de 2008

Sobre cervejas, cigarros e o nada.

Ando meio zumbi, daqueles de filmes do George Romero. Não me lembro das coisas, nada de ontem, nem de anteontem e nem de coisas de anos atrás. Escuto vários “bons dias” e respondo com um sorriso, mecânico. Eu escorrego no vazio da minha própria cabeça, do meu coração e da minha alma. Mais uma na multidão de rostos feios e infelizes. Ontem eu era “a fodona” e fazia diferença, hoje eu só sou o numero 54678043. Aperto parafusos. Me mantenho em pé, só não sei o porquê. I´m fucking tired e não sei até onde vou resistir. Já não existe mais nada pra se tirar de mim, pro amor eu já acordei, pro trabalho eu cansei e pra guerra eu já morri. E sobrou isso aqui.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Diz que estou por ai...

Eu estava lá no sul, na chuva e no frio, e eu não tinha onde ficar e parei em um hotel na frente da rodoviária com minha mochila pesada e minhas pernas cansadas de tanto andar e andar com todo aquele peso (o peso da mochila e o peso do meu coração velho e estragado) e dois velhos nazistas evangélicos me atenderam e me perguntaram se eu ia passar a noite sozinha, porque aquele era um hotel de respeito e de família, e que eles só tinham um quarto por 30 reais e me deram a chave e eu entrei e vi tufos de cabelo do lado da minha cama, uma coisa vermelha na pia do banheiro, uma barata perto da enorme teia de aranha, um ar sufocante e úmido e o velho evangélico com um bigode amarelado enorme começa a tossir e a escarrar de 30 em 30 segundos repetidamente, contados no relógio, bem na frente da minha porta. E nesse hotel eu deixei de ser machinho e meu lado mulherzinha falou mais alto. Tive tanto nojo, tanto nojo... E pensei na minha cama limpinha e quentinha daqui de São Paulo... Tentei imaginar quantas putas já foram comidas naquele quarto (os velhos disseram que era um quarto de família, mas naquele chiqueiro? Que família? Só se forem as putas e os filhos delas mesmo...). Eu não conseguia encostar em nada, era tudo sujinho demais, sujinho demais até pra mim, que não tenho frescura... E eu sai do hotel, perdi 30 reais que já tinha pagado porque eu não estava com saco pra bater boca e pedir a grana de volta, voltei pra rodoviária e peguei um ônibus pra outro lugar. Neste outro lugar nem rodoviária tinha, cheguei em uma praça e o que eu temia aconteceu, o motorista disse “Corupá, destino final” e eu tive que descer. Eu estava no meio do nada. Parei no bar (bar sempre tem em qualquer lugar) e bebi uma dose de conhaque. Perguntei se existia um lugar pra ficar e me levaram pra um galpão com fachada verde onde tinha um hippie nórdico que me hospedou. Lugar limpinho, lençóis cheirosos e café da manhã com doce de leite. De manhã vi meia dúzia de cachoeiras e me enchi da natureza, o nórdico me pagou umas brejas e eu disse tchau. Peguei um ônibus direto pra poluição de Porto Alegre. Todo tesão que me falta por São Paulo me sobra por Porto Alegre. Precisava comer e decidi procurar um yakissoba porque era barato e tinha carboidratos, carne e legumes, e eu precisava de comida de gente porque estava à base de cerveja e tang com ypioca há algum tempo, entrei num buteco japonês e um chinês bizarro me atendeu, ele tinha uma verruga no canto da boca e tinha uns fiozinhos que iam até abaixo do pescoço, ele ficava alisando aqueles fiozinhos e o avental dele parecia avental de açougueiro, foi ai que tive meu momento nojinho II e perguntei se tinha “cheesecake” e antes que ele respondesse “não, sua idiota, isso é um restaurante japonês” eu já estava lá fora tropeçando em uma latinha. Fui pro gasômetro e encontrei os guris que falam com aquele sotaque lindo, e fui ouvir roquinho e beber, causar e ser feliz e me sentir livre. Eu estava sozinha, ninguém me conhecia, eu não era absolutamente ninguém e podia ser qualquer uma. Fui Bia, Camila, Rita e Margarete. Fui de São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro (mesmo fingindo um sotaque caricato). Subia e descia ruas sem horário, sem pressa e sem destino. Fiquei na rua por uns dias. Fiquei embriagada por uns dias. Dormia com pessoas quando precisava de cama e de chuveiro e de comida. E eu fui ao Teatro e vi Mário Quintana e ouvia Bob Dylan e Vanguart no mp3 sentada na calçada esperando alguma coisa acontecer e sempre acontecia... Um bêbado vinha e filosofava, alguém me convidava pra ver bandas ou me pediam fogo pro cigarro e com o fogo vinham conversas e conversas levavam a outras coisas. E era sempre algo diferente e inesperado. Conheci uma perdida de São Paulo, ficamos amigas, dividimos um quarto, bebidas e um loirinho de 19 anos. Com ela ficou mais fácil viajar, pedimos carona ou rachamos as despesas... E estamos por ai, aqui agora e não sei aonde amanhã...
Decidi que não quero mais viver sabendo o que vai me acontecer. Eu não quero mais viver acordando as 8, saindo de casa as 9, entrando no trabalho as 10, e saindo as 18 pelo resto da minha vida, vendo os mesmos rostos e as mesmas frases e a mesma rotina. Eu não vou mais viver amando a mesma pessoa, quero amar e odiar todas. Quero fumar cigarros de todos os tipos, de cravo e de cereja, e beber saquê e tequila misturados com tudo o que aparecer. E vou andar pelo sul e norte e no calor e nas geleiras e vou ver tudo e sentir tudo. Vou gastar toda minha vida ate não sobrar mais nada.

terça-feira, 1 de julho de 2008

E é tão agoniante quando está tudo engasgado por dentro, entalado na garganta, como se existisse uma bola enorme, um novelo de lã de 5 kilos entupindo seu peito não te permitindo gritar, seus olhos tão inchados que não dá pra chorar... E você bate os pés no chão repetidas vezes com vontade de correr mas você não sai do lugar e você fica ali, olhando pro nada, estático, desesperado por não ter alternativa a não ser se conformar ou se despedaçar. Não tem nada pra pensar, não tem nada pra fazer. E o vazio de todas as coisas te suga. Você se apaga. Seus olhos secam. O tempo passa. E você diz: “não foi isso que eu desejei, não foi por isso que eu lutei” mas já é tarde, e agora você é como todo mundo. Carne sufocando o desespero. Alma morta de cansaço e solidão.